Silhueta
novembro 15, 2011 por richardoso
O frio na barriga se espalha pelo corpo
As mãos desorientadas e trêmulas
Inquietas em busca das teclas erradas
Para não expor a angústia
Que percorre meu corpo
Um calor por fora
Um frio por dentro
Suo fácil e sinto medo
Do que?
Não sei.
Sei que sinto.
Algo me corroi, moi, tritura, esmaga a confiança
Consumindo, estraçalhando, desfiando
Cada palavra, gesto
Cada possível pensamento sensato
A garganta seca, os olhos úmidos
A cabeça, a pressão alta
A vida passada, sem retorno
Vivida, mas passada
Hoje, o tempo não me quer mais
Ele passa voando
Enquanto eu caminho
Numa direção que não enxergo
Pra um lugar que não conheço
Sei que é para o interior
Longe, bem longe
Reside minh’alma
Fluida, leve
Livre das amarguras da vida
Não falo do sentido
Vida não é pra ter sentido
Vida é pra sentir.
Sinto dormência
Uma dor e uma demência
Sem corpo
Só a silhueta de alguém
Que achava que conhecia.