Olho para os meus pés
E imagino a próxima caminhada
Pelo vale desconhecido
Já calejado das pedras e dos deslizes
Depois de atravessar rios e enfrentar correntezas
Chega a hora de construir uma trilha
Planejada por mim e pelo acaso
Que me levará ao lugar incomum
Da satisfação.
Das pedradas ando cheio de marcas
Dos deslizamentos, cheio de lama
Quero purificar-me com a água salgada
Do mar e da rainha
Pôr as imagens em P&B no porta-cicatrizes
E fazer papéis de parede com as cores da saudade,
Revestindo minha existência de retratos
Nem sempre agradáveis.
Olho para as minhas mãos
E penso nas próximas palavras.